Agricultores sem eira nem beira

Ao lançar “Quem quer namorar com o agricultor?”, 18 anos após estreia de “Farmer wants a wife”, em Inglaterra, a SIC fez de Portugal o último das três dezenas de países que, desde 2001, apostaram na capacidade do programa para captar audiências.

Há pouco tempo, a SIC Mulher transmitiu a nona (!) temporada da versão australiana, um luxo que ia da imensidão das herdades ao nível das candidatas, passando pelo cheiro, intenso, a dinheiro. Também pela realização, pois em televisão a abundância de recursos ajuda muito.

Na edição portuguesa nota-se bem a diferença entre um pequeno país e um continente. Desde logo, pela falta de agricultores autênticos, o que obrigou ao recurso a imitações: empregados por conta de outrem com um pedacito de terra, três cabras e uma dúzia de galinhas.

Essa carência de protagonistas a sério afastou as garimpeiras de fortunas, substituídas por anafadas pretendentes de meia idade e cotação em queda – e pagas a feijões. Disso se ressente a produção, com casas pré-fabricadas, quartos alugados e drones a exibir terrenos vizinhos, limitações idênticas às da versão espanhola, que deixava igualmente bastante a desejar. Chega para a encomenda? Chega. Mas lá que é pobrezinho, é.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 13abr19

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