Acabou um pesadelo no Sporting? Vêm aí outros…

A semana de pesadelo sportinguista terminou ontem, com uma exibição digna no Jamor, insuficiente, no entanto, para a conquista da Taça de Portugal. A missão era impossível, após tantos dias de martírio psicológico, de falta de preparação técnica, de intranquilidade e até de abandono por parte de quem devia apoiar a equipa e se colocou em posição de não o poder fazer. E novo insucesso se somou à “perda” da Champions.

A semana negra findou, mas hoje começou outra, talvez aquela em que várias cargas de cavalaria, pesadas e veremos até que ponto ruinosas para os leões – prometem responder à investida da infantaria acéfala. Novas noites sem sono aguardam os desiludidos adeptos do Sporting!

Mas foi bonita a festa, pá. Afinal, o Desportivo das Aves aproveitou as condições únicas que se lhe colocavam, e eu fico feliz pelo clube e pelo guarda-redes Quim, “assassinado” há uma década, na Seleção, com os seis golos do Brasil a Portugal, e que aos 42 anos (!) vê recompensada a sua inacreditável resistência. Não é para todos!

Voltando à vaca fria. Alguns comentadores ligados ao Sporting criticam o que consideram ser uma dualidade de critérios por parte dos tribunais: permitir que o arguido Paulo Gonçalves regressasse ao trabalho no Benfica e impedir o arguido André Geraldes de regressar ao seu posto em Alvalade. Percebo que cada um defenda a sua cartilha, mas o certo é que estamos perante casos de contornos diferentes que podem conduzir a diferentes medidas de coação. Mas não vou por aí, pois ainda que estivéssemos face a indícios semelhantes, a sorte dos arguidos depende, antes de tudo, da personalidade e do estado de espírito dos juízes. Estes são, ao contrário dos que por vezes se julga, cidadãos iguais aos outros, com idênticos defeitos e virtudes. São de direita ou de esquerda, do Benfica, do FC Porto ou do Sporting, católicos, muçulmanos ou ateus, realizados ou frustrados, otimistas ou pessimistas, tolerantes ou intolerantes. Os arguidos sujeitam-se, assim, a uma verdadeira lotaria. E os azares acontecem.

Quando fui diretor de um jornal tabloide e alvo de um novo processo a cada semana, pude verificar que se havia magistrados que encaravam com normalidade o jornalismo dito “popular” e procuravam apurar se teria existido realmente crime de abuso de liberdade de imprensa, outros havia que cedo mostravam a sua animosidade em relação aos tabloides e me tratavam, à partida, como criminoso. Mais tarde, verdade se diga, um “juiz de Berlim” surgia sempre para arquivar os processos ou para me absolver. Conto isto para que se entenda o que parece ser, nos casos de Paulo Gonçalves e de André Geraldes, uma ínvia aplicação da justiça.

O último parágrafo do dia vai para uma simples dúvida cá do escriba: aquele “empresário” que alegadamente tentava corromper jogadores adversários do Sporting – e que era de uma incompetência extrema, como já se percebeu – não será rapaz com perfil para ter ficado com o suposto dinheirinho todo para ele? Aguardo, inquieto, a primeira prova de um crime cometido por um desses jogadores… “comprados”.

Outra vez segunda-feira, Record, 21MAI18

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