A revolta de José Mota e a lei sobre a eutanásia

Boa parte das pessoas vive no seu mundo, considera-o mais importante que o dos outros e pensa cada vez menos nos grandes desafios que a todos ameaçam. Vem isto a propósito da destemperada manifestação de revolta do treinador do Aves, José Mota, pela suposta falha no protagonismo dado ao Desportivo, ao contrário do que aconteceu com o Sporting.

Primeiro: a chegada à final e a conquista da Taça pelos minhotos ocuparam tempo infindo e espaço relevante, ambos merecidos, na comunicação social. Segundo: o ataque selvagem à academia e o processo de eventual corrupção, atos que envolvem gente ligada ao Sporting, ultrapassam em muito a importância de um jogo, seja ele qual for, pois são um problema mais da sociedade que do futebol. Terceiro: se mesmo a indicação dos 23 futebolistas que levaremos ao Mundial ou a queda do avião em Havana foram temas tratados pela rama, Mota queria mais o quê? A revelação dos pratos preferidos dos jogadores ou das suas férias de sonho?

Quando se tenta aprovar na Assembleia da República uma lei sobre a eutanásia, e nem isso é suficientemente debatido pelos portugueses – que de uma forma geral nem sabem o que está em causa –, ao menos que nos preocupe o avanço da barbárie.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 26MAI18

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