A mártir de Paços de Ferreira

A multiplicação das reportagens de investigação – com que os diversos canais tentam acompanhar a “pedalada” da CMTV – está a revelar um novo artista: o intrujão descarado.

Percebo essa fauna. Julgando-se muito espertos, acreditando ter cometido crimes perfeitos e temendo ver surgir uma Tânia, uma Ana ou uma Sandra à porta de casa ou do emprego, os “aldrabilhas” deixam-se entrevistar, sem ter noção que se vão espalhar à frente dos telespectadores e do país.

Não menos patético é o caso dos impreparados para o mediatismo que têm de dar a cara às câmaras, como sucedeu esta semana à diretora da cadeia de Paços de Ferreira, intimada pelos deputados a explicar o forrobodó divulgado pelos reclusos nas redes sociais. Foi um dó de alma.

No topo da lista do que de pior se deseja aos inimigos estará, por certo, o cargo de diretor de uma prisão, em especial desde que Mário Centeno retirou ao sistema tudo – até as chaves das celas. Daí que a mártir de Paços, a gaguejar e agitando nervosamente a papelada, só tenha revelado em São Bento, além de nada, uma coisa: que o “quero, posso e mando” (sic) dos presos é lei na sua cadeia. Com a diretora de mãos atadas, não nos admiremos que a próxima festarola se dê já no largo da igreja.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 16fev19

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