A mão no ombro dos separados pela vida

Duarte Siopa não é uma jovem revelação da televisão, apenas um profissional que na CMTV encontrou o fato à sua medida e agarrou a oportunidade. É ele quem conduz o programa de serviço público que lançámos no último sábado: “Separados pela vida”. E começou bem essa nova aposta, com picos de audiência acima dos 100 mil espectadores e um desempenho seguro de Siopa, apoiado no bom trabalho de pesquisa de Ana Botto.

Desde que – em 2002 e ao cabo de oito anos e de 239 episódios – a SIC pôs termo a “Ponto de encontro”, um marco histórico da estação, que os casos de afastamento e reaproximação, então apresentados pelo grande Henrique Mendes, não dispunham de um espaço de transmissão regular.

O apresentador da CMTV não tem, nem podia ter, o “savoir faire” de um dos monstros sagrados da comunicação em Portugal, com quem será semanalmente comparado. Mas leva, sobre a distância de cirurgião que Henrique Mendes cultivava, a vantagem do envolvimento e do afeto. Quando os protagonistas se vão abaixo, Siopa sofre com eles – lembrando sempre como foram feios os tempos do abandono. E quando o choro irrompe, a realização não perde o pormenor da sua mão amiga sobre o ombro que treme. Que bom este teu porto, Duarte.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9JUL17

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