A maldição dos aparelhos partidários

No regresso à ribalta, António Capucho não poderia ter sido mais claro: “Estão a tentar fazer a cama a Rui Rio”. Afinal, o ex-presidente da Câmara de Cascais conhece bem essa arte, já que só não fez a cama a Passos Coelho porque lhe faltavam lençóis. Mas a lata de Capucho vai mais longe ao defender que os deputados sociais-democratas que não concordam com a linha política traçada por Rio deviam afastar-se do Parlamento – e alguns, coitados, iriam viver de quê?

Curiosamente, o ex-ministro de Soares e Cavaco não se demitiu do partido quando dele divergiu, ou mais tarde, ao candidatar-se, em Sintra, por uma lista autárquica independente, o que levou o PSD a expulsá-lo – medida cuja anulação agora solicitou, correndo em apoio do novo líder.

É nesta incoerência que vive o maior partido da oposição, feito de uma massa muito semelhante, aliás, à do partido do Governo, como veríamos se António Costa fosse derrotado mais cedo do que se conta e o PS precisasse de recorrer ao velho baronato, sempre refém dos filhos do aparelho, uma teia controladora que impede a renovação interna dos partidos para proteção dos interesses dos seus apaniguados.

No caso do PSD, é precisamente o aparelho que domina o grupo parlamentar e se constituiu já como a primeira força de bloqueio a Rui Rio. Que gigantesca tarefa espera o homem!

Observador, Sábado, 1MAR18

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