A justiça que protege a javardice

A linguagem da mulher para os profissionais da PSP era injuriosa: “Vocês são uns palhaços, não valeis nada, ide-vos f…!” E não, não estava a ser interpelada pela polícia, já que foi a própria a dirigir-se ao posto de Massamá, às 6 da manhã, para apresentar duas queixas. Estaria ébria, mas sóbria que bastasse para acusar um taxista de a querer enganar e a seguir o companheiro, de a ter agredido. Finalmente, para dar um murro no computador da esquadra e bolsar os insultos.

Bem andou o Tribunal de Sintra, que depois de uma noite de cadeia para libertar os vapores do éter, a condenou, em julgamento sumário, a 500 euros de multa, pelo crime de injúrias. Mas a agressora não se conformou com tanta “dureza” e apelou para o Tribunal da Relação, que lhe deu razão, justificando a absolvição com o argumento que a ordinarice da mulher não atingiu “o núcleo da dignidade pessoal dos ofendidos”, acrescentando que os agentes – que reconheceu terem sido ofendidos… – “devem construir uma carapaça que os proteja”. Inacreditável.

Que péssimo sinal de impunidade – e que incentivo à alarvice – dá a Relação aos javardos do país! Com esta justiça do lado dos anormais, é preciso muito estômago para se ser polícia.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 2JUN18

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