A dura verdade de Alberto João Jardim

Manuel Luís Goucha surpreende-nos regularmente com uma boa entrevista na TVI. Foi o que sucedeu na terça-feira, no “Você na TV”, a propósito do livro de Alberto João Jardim, “Relatório de combate”, numa conversa com o autor que à primeira vista me parecia a repetição de um discurso com 40 anos.

Devo confessar que aprecio Jardim, as atitudes politicamente incorretas, as vitórias sucessivas nas urnas, o modo como desenvolveu a Madeira e a inexistência de sinais visíveis de riqueza, o que significará que serviu e não roubou – e se lhe foram sofregamente escrutinados os passos e vasculhada a vida! Deixo os tiques autoritários e outros defeitos, muitos e indiscutíveis, aos inimigos, também numerosos e sempre prontos para tentar transformar um vencedor, pelos resultados conseguidos, num derrotado só por ter chegado o dia da saída de cena. Conheço essa tese.

Até porque na conversa com Goucha houve um momento superior. Depois de se ter falado em Sá Carneiro e Mário Soares, Jardim interpretou o sentimento profundo de milhares de portugueses quando disse ter saudades dos políticos que pensavam “nós”, pois muitos dos atuais pensam apenas no “eu” e nos seus interesses pessoais. Grande e dura verdade, Alberto João.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 20MAI17

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