A diferença entre insultar ou apoiar os jogadores

Não vale a pena sobrevalorizar a capacidade do treinador, a excelência da gestão ou o entusiasmo dos adeptos, tudo fatores importantes e que podem existir ou não: quem vai para o campo e ganha ou perde os desafios são os jogadores.

Após a provocação de alguns anormais a Camará e à mulher – que aos insultos responderam com insultos, ninguém é de ferro –, no final da última derrota do Belenenses no Restelo, cerca de 70 associados dos azuis abordaram civilizadamente os futebolistas antes de um treino, reclamaram o que tinham a reclamar e ouviram o que tinham a ouvir – até Camará se explicou.

Não concordo com esta moda de invadir o espaço destinado aos profissionais de futebol, mas aprovo intervenções que se baseiem no diálogo e em que o respeito mútuo seja mantido. E como se poderia não aprovar aquela que referi, depois de se saber que a sua consequência foi uma vitória histórica sobre um rival que há 62 anos não vencíamos no seu terreno! Viu-se assim a diferença entre insultar os jogadores ou fazer-lhes sentir o que esperamos deles, puxar-lhes pelo brio e motivá-los.

Espero agora mais dois presentes azuis: que a proeza de Alvalade constitua um merecido recomeço na carreira de Domingos e que seja mesmo possível ficarmos livres do homem que o contratou, que começou por liquidar contas e se tornou depois no maior semeador de ódios da história do Belenenses.

Canto direto, Record, 8MAI17

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