A crítica só porque sim desgasta mais a oposição do que o Governo

O Governo não passa uma semana sem criar um caso estúpido como o da transferência do Infarmed para o Porto, uma decisão de que nem o Presidente da República foi avisado – ao menos em nome da colaboração institucional que tão útil tem sido a António Costa.
Mas a oposição acha que cavalgar a asneira do momento não basta – na verdade, PSD e CDS travam um combate pela liderança do seu espaço político – e desgasta-se ou anula-se a criticar cada passo do Executivo, incluindo o que nada interessa ao eleitorado. Nessa voragem suicida, foi até ao ponto de votar contra o agravamento do imposto sobre as comidas e bebidas com excesso de sal ou de açúcar, pondo contra si a comunidade científica e o senso comum.
Para Assunção Cristas, a estratégia de falar primeiro, mais alto e duas vezes ao dia será a correta, mas essa estratégia é um desastre para o PSD, que tem rapidamente de mostrar algum agrado pelo que corre bem ao Governo e ao País, abster-se de criticar o desprezível e cair – aí sim, sem contemplações – sobre o que vai sendo atabalhoada e demagogicamente feito, e que redundará em prejuízo dos portugueses.
Rui Rio e Pedro Santana Lopes vêm dando sinais animadores de querer ir por esse caminho. Porque sabem que os eleitores não gostam de gente mal disposta e que o fim do azedume retirará peso e argumentos a António Costa.
Observador, Sábado, 29NOV17

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