A cara de pau de Passos Coelho

Não tenho partido e decido sempre o meu voto no próprio dia das eleições. Já elogiei Passos Coelho, em quem votei em 2011 para me ver livre de Sócrates, aprecio a sua determinação e o sentido de estado com que encarou a ameaça de bancarrota e a ultrapassou. Mas estou farto. Um ano devia ter chegado para pôr de lado o ressabiamento resultante do “ganhei as eleições”, só que isso não aconteceu e já não se pode ouvir a ladainha diária das catástrofes em que se especializou.

Hoje, o Tribunal de Contas aponta baterias ao governo de Passos pelo que não fez na Caixa Geral de Depósitos ao longo de anos, depois de ontem, a propósito do mesmo tema, o ex-primeiro-ministro ter acusado o executivo de António Costa de “irresponsabilidade e falta de vergonha”.

É uma opinião, o tempo dirá da responsabilidade ou irresponsabilidade da gerigonça e dos seus mentores. Mas quanto à falta de vergonha, alto aí. Passos Coelho já se esqueceu que ganhou as eleições de 2011 com promessas que não cumpriu, empenhando-se até em fazer o contrário do que prometeu? Pois eu não. Falta de vergonha poderá ter Costa, mas falta de vergonha – e cara de pau! – é o que Passos tem com toda a certeza.

Com a insistente ameaça de retorno às políticas anti-sociais do passado, o PSD não voltará a ganhar eleições. Ou segue em frente, arranja outro líder e apresenta um novo projeto para o País ou acaba em 25% nas sondagens. E nós ficamos nas mãos da demagogia e dos vendedores de ilusões.

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