A cambada é a responsável pela violência no futebol

De cada vez que apontamos o dedo a alguém, há três que apontam para nós. Esta lição não foi dada por um filósofo, um mentor espiritual ou um comentador do fenómeno desportivo, mas por homem simples que sabe que o seu trabalho é de treinador de futebol e não de incendiário. E que tem a lucidez de perceber que é preciso travar a fundo nesta ridícula, boçal, insistente e perigosa parada e resposta de uma verborreia irracional, geradora da violência que cresce na proporção direta com que afasta o público dos campos de jogo. Refiro-me a Rui Vitória, cujo discurso tantas vezes redundante é criticado, mas que opõe o bom senso e a capacidade de pensar ao delírio e à sanha persecutória da cambada.

As cenas de violência dentro e fora dos recintos desportivos – interpretadas por arruaceiros e por vezes por autênticos bandidos – não acontecem por culpa dos protagonistas do jogo. Tão pouco devem ser assacadas aos jornalistas, meros espectadores da realidade, ou aos agentes da autoridade, que se podem ser acusados de algo é de brandura de costumes. Não, os responsáveis são os dirigentes que deviam mandar e têm medo, bem como aqueles que sobem ao poleiro prometendo às massas o que não têm condições para lhes dar e disfarçam depois os falhanços armando os braços de rivalidades doentias que matam. Como indivíduos, serão respeitáveis – embora nem todos recomendáveis – mas juntos constituem um grupo de gente de má nota, uma cambada.

Canto direto, Record, 1MAI17

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