A bÁctéria indestrutível

Ninguém está livre da asneira: escreva-se ou fale-se, há sempre uma fresta por onde entra o erro. Nas televisões, porque a visibilidade é maior, a ignorância e a falta de rigor abundam. E ainda esta semana, um desses plumitivos transformados pela ordem caceteira em “diretores de comunicação” surgiu, com recorte doutoral, a utilizar um termo inexistente: a “catrefada”.

Mas o mais preocupante é que já nem pivôs de telejornal escapam – há dias, um recuperou a celerada “rÚbrica” – e são mesmo eles, pela montra em que dão exemplo, quem passa aos novos jornalistas, e a outras figuras com responsabilidades culturais, as licenças para asneirar.

Desde segunda-feira que vivemos sob o martírio. De manhã à noite, em reportagens gravadas, em diretos e nos estúdios, figuras da medicina – incluindo a nova diretora-geral da Saúde! – colaboram ativamente no deixa andar jornalístico. Todos unidos, mais não pretendem do que consagrar, através da repetição, o uso da feroz “bÁctéria”, matando em definitivo a bactéria correta.

Bem pode o Ciberdúvidas, ciberduvidas.iscte-iul.pt – sonho do jornalista José Mário Costa – explicar o que está certo ou errado. Não vale a pena, além de mortal esta “bÁctéria” é indestrutível.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 11NOV17

Os comentários estão fechados.