Naufrágio matinal na TVI

Adormeço tarde a ver séries e tarde acordo, embora sempre a tempo de acompanhar, por alguns minutos, o grande duelo das manhãs televisivas.

“Sou feliz tanto na vitória como no fracasso”, dizia há dias Manuel Luís Goucha – numa frase que carrega a assunção dos momentos difíceis. E incompreensíveis face à previsibilidade dos efeitos do furacão Kristina e aos meses de que a TVI dispôs para se preparar.

Na última quarta-feira, mal me liguei à atualidade, assisti a um autêntico “happening” com a marca de Cristina Ferreira. Em estúdio, crianças com trissomia 21 e respetivos pais misturavam-se com as manas Núria e Dália Madruga, e três dos seis filhos de ambas, e ainda com palhaços e outros animadores. Como se não bastasse, chegou Cláudio Ramos na companhia de um “coelho” cabeçudo…

Nessa altura, passei para o “Você na TV!”, onde Alexandra Lencastre dissertava sobre a saudade, um oportuno exemplo de como a TVI continua a dormir. A dinâmica do programa não acompanhou a mudança dos cenários e à deserção dos melhores comentadores a estação respondeu com más escolhas, recorrendo a colaboradores de imagem discutível, escassa empatia ou discurso petulante.

É um naufrágio. Que anda a fazer o homem do leme?

Antena paranoica, Correio da Manhã, 2fev19

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