De Luisão ao VAR, passando por Cristiano Ronaldo e Martina Hingis

Tenho amigos benfiquistas que andam preocupados pelo facto de o clube da Luz ter contratado um quarto guarda-redes, de apenas 18 anos, sabendo-se da superveterania de Paulo Lopes e das limitações físicas recorrentes de Júlio César. E se a inexperiência de Bruno Varela ao mais alto nível o fizer abanar, como se resolverá o problema? Bem, não acredito que Rui Vitória e a estrutura encarnada não tenham equacionado todos os cenários e, se fosse benfiquista, talvez me preocupasse mais com o centro da defesa, já que Jardel se lesiona com alguma regularidade e Luisão não vai para novo. Ainda na sexta-feira, vimos como no drible a dois tempos de Fabrício, no lance do golo apontado pelo avançado brasileiro do Portimonense, o capitão não foi suficientemente rápido sobre a bola para fazer o desarme. Pode ter sido um sinal de que se aproxima a altura de cuidar do futuro.

O Sporting ganha dois jogos graças a grandes penalidades na fase final das partidas e vence outro porque o VAR fez o trabalho para que foi criado. O mesmo VAR que evitou o empate do Portimonense, depois de o Benfica se colocar na frente do marcador com o golo da vida de André Almeida. Lembro isto não por ter havido qualquer anormalidade mas para sublinhar que a enorme distância que separa hoje os três grandes dos concorrentes, na tesouraria e na capacidade de investimento, se vai reduzindo dentro do campo porque a segunda linha do nosso futebol está servida por grandes treinadores e muitos executantes de qualidade.

Das declarações de Cristiano Ronaldo à juíza do Tribunal de Pozuelo de Alarcón, sobre a acusação de fuga ao fisco espanhol – ontem reveladas pelo “Correio da Manhã” – retivemos o “pormenor” de o jogador ter delegado na melhor sociedade ibérica de advogados, a Garrigues (350 milhões de euros de faturação em 2016), a sua tributação de rendimentos. Que mais poderia fazer? E quando se sabe também que a magistrada lhe disse que incorria numa pena de dois a seis anos de prisão, até eu, madridista, me interrogo: o que espera Cristiano para dar um novo rumo à sua carreira?

O último parágrafo, que tinha destinado ao fabuloso final de carreira de Alberto Contador e à sua triunfal escalada do Angliru, tem de ser repartido com a tenista Martina Hingis. Vinte anos (!) após ter vencido o Australian Open, Wimbledon e o US Open, em singulares, alcançou, ontem e no sábado, ao ganhar de novo o US Open, agora em pares e pares mistos, o 24.º e o 25.º título em 35 finais do Grand Slam. Aos 36 anos, aquela que é considerada a melhor tenista de pares do Planeta, n.º 1 no respetivo ranking mundial e medalha de prata nos Jogos do Rio, em 2016, sonha conquistar, para a Suíça, o ouro olímpico em 2020, a jogar ao lado de um rapaz da sua idade, Roger Federer, nem mais. Será que, aos 39 anos, ainda irão a tempo? Com eles, tudo é possível!

Outra vez segunda-feira, Record, 11SET17

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