Acabam US Open e Vuelta: ficam as saudades de Federer e Contador

Para se escrever sobre televisão, existe um mandamento óbvio: ver televisão. E esta semana, chegado o dia de produzir a crónica, verifiquei que não cumpri a tal regra de ouro que me habilitaria a refletir com o leitor sobre um tema de interesse comum.

Preciso de me justificar, não foi propriamente não ver televisão, mas ver apenas aquilo que na época do ano que atravessamos me mantém refém do televisor: o Open de ténis dos Estados Unidos e a Volta a Espanha em bicicleta. A agenda diária não me dava outra margem, já que “pegava” nos diretos do ciclismo à hora de almoço e seguia até às 5 da tarde, altura em que começava o ténis para só terminar às 4 da madrugada – e depois havia que dormir. E assim sucessivamente.

Amanhã, acabam ambas as provas e lá muda este meu ciclo anual. Deixo de correr as cortinas, de aumentar o som e de me isolar na frente do grande ecrã – adquirido mais por causa do futebol que do resto – e regresso à rotina televisiva quotidiana, aos incêndios, aos terramotos, aos malucos das bombas, à menoridade de alguma política e a toda a multiplicidade de desgraças que sempre se apresentam para a “rentrée”. Sei que vou sentir saudades de Contador, de Venus ou de Federer, mas é a vida.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9SET17

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